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quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Anvisa muda regra de classificação de produtos "light"

Norma em vigor prevê que alimento tenha 25% a menos de açúcar ou sódio do que o produto convencional
Por causa das novas exigências, mais de uma marca de pão de forma já trocou o termo "light" por "fit"
JOHANNA NUBLATDE BRASÍLIA
Desde o início do ano, alimentos produzidos e comercializados no Brasil devem seguir novas regras para serem comercializados como "light", isentos de gordura trans e "fonte de" ou "rico em" ômega 3, 6 e 9.

Segundo a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), o objetivo dos novos critérios é evitar mensagens enganosas ao consumidor e adequar as regras nacionais às dos países do Mercosul.

O termo "light" passa a ser liberado apenas nos casos em que o alimento tiver, no mínimo, 25% a menos de um determinado nutriente --açúcar, gordura total ou saturada, sódio ou valor energético-- que o produto convencional da mesma marca.

A comparação também pode ser feita pela média dos produtos convencionais no mercado, segundo a agência.

Até então, o termo "light" também era liberado para produtos que cumprissem um teto máximo do nutriente. Na avaliação da Anvisa, isso poderia gerar mensagens equivocadas ao consumidor porque a concentração baixa do nutriente poderia ser uma característica natural do produto, e não um benefício em relação aos convencionais.

Pelo menos duas marcas de pão de forma trocaram o termo "light" por "fit" ou outra denominação. Os pães light da Wickbold, por exemplo, agora recebem a marca "estar leve" na embalagem.

A Bimbo, que atua no mercado de pães, informou que "tomou as ações necessárias para adequação às exigências, dentro dos prazos estabelecidos por lei".

ÔMEGAS
Outra mudança, segundo a Anvisa, foi a liberação do uso de termos como "fonte de" ou "rico em" ômega 3, 6 e 9, desde que cumpridas concentrações mínimas --para ser "rico" é preciso ter o dobro da substância presente no alimento que é "fonte".

Também foi incluído o termo "isento de gordura trans" --o produto deve ter no máximo 0,1 g de gordura trans por porção e manter baixos os índices de gordura saturada, para não haver troca de um tipo de gordura pelo outro-- e "sem adição de sal".

Nesse último caso, a intenção é estimular a indústria a diminuir o uso do sódio dos produtos, de acordo com Rodrigo Martins de Vargas, especialista em regulação e vigilância sanitária da Anvisa.

Outra alteração é a necessidade de que os produtos que aleguem ter altos teores de proteínas tenham quantidades específicas de aminoácidos tidos como importantes para a nutrição.

Os critérios foram discutidos por quatro anos, instituídos pela Anvisa em 2012 e entraram em vigor no início deste mês. Mas alimentos produzidos até o final de 2013 podem ser vendidos até o prazo de validade.

30/01/2014 - Folha de São Paulo (Saúde + Ciência)

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

O som dos sabores

A-do-ro quando a publicidade é inteligente e bem feita. Vejam que lindo!



O som dos sabores

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Butão será o primeiro país do mundo que só permitirá agricultura orgânica

23/01/2014 11:53 am

Ministro da Agricultura, Pema Gyamtsho, também agricultor, anunciou medida na Cúpula Sobre o Desenvolvimento Sustentável

Grande parte da agricultura do país já é orgânica por conta do alto custo dos produtos artificiais (Foto Divulgação/ Racismo Ambiental)
Butão, um país com cerca de 750 mil habitantes, se tornará, antes de 2020, o primeiro do mundo que produzirá todos os seus alimentos com práticas de agricultura ecológica.
O ministro da agricultura, Pema Gyamtsho, que também é agricultor, anunciou essa medida ao mundo na Cúpula Sobre o Desenvolvimento Sustentável, que aconteceu na capital indiana, Nova Delhi. Ele também declarou que o desejo do país é exportar alimentos naturais para China, Índia e outros vizinhos continentais.
Nesta data estará proibido o uso de pesticidas e agrotóxicos químicos e os agricultores butaneses utilizarão em seu cultivo somente adubos orgânicos naturais, obtidos de seu gado. Grande parte da agricultura do país já é orgânica por conta do alto custo dos produtos artificiais e para a manutenção da qualidade do solo
O ministro ainda advertiu para os efeitos nocivos dos componentes químicos nos valores nutricionais de frutas e legumes e na contaminação das águas subterrâneas. Para que o prazo seja cumprido, a intenção do governo é aumentar as terras irrigadas e usar variedades de alimentos imunes a pragas.
Fonte: Revista Forum 

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Bolo de cereais e frutas


1.   Misturar e reservar
  • ¾ de xícara de açúcar mascavo
  • ½ xícara de farinha de trigo integral
  • ½ xícara de farinha de banana verde
  • ½ xícara de aveia em flocos ou granola sem açúcar
  • ½ xícara de quinoa em flocos
  • ½ xícara de amaranto em flocos
  • 1 colher de sopa de linhaça dourada em pó
  • 1 colher de sopa de chia
  • ½ colher de sopa de fermento em pó
  • 2 colheres de sopa de passas brancas sem sementes
  • 2 colheres de sopa de goji berry
  • 2 colheres de sopa de amêndoas

2.   Bater no liquidificador
  • 1 maça verde
  • 2 ovos
  • 1 copo de iogurte de ameixa (sabor de sua preferência)
  • ½ copo de óleo de canola
  • 1 colher de chá de essência de amêndoas

3. Juntar à mistura seca e mexer até se tornar uniforme

4. Colocar a massa em uma forma de bolo inglês, untada e polvilhada com farinha integral

5. Polvilhar com canela em pó e levar ao forno pré-aquecido, em temperatura média, por cerca de 40 minutos

      O bolo foi meio de improviso, mas acabou ficando muito bom!!!

Ah! O doce é outra maravilha: papaya, laranja e gengibre.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Feiras livres: clandestinas até 1914

12/01/2014 - 02h30

Clandestina até 1914, feira a céu aberto tenta se reinventar para sobreviver

JULIANA TOUTTUCÔO
TATIANA BABADOBULOS
DE SÃO PAULO

Nos primórdios da Vila São Paulo, em 1554, começaram a pipocar tabuleiros de verduras na rua.

Muito caldo de cana rolou por debaixo dessa ponte até que as feiras livres saíssem da clandestinidade e se incorporassem de vez à fauna da cidade, com um decreto em 1914.

Feira Livre S.A.

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Diro Blasco/Ed Farina/Folhapress
Feira na rua das Palmeiras, em Santa Cecília
Passados cem anos, esse comércio de rua adotou pagamento com cartão, aderiu ao delivery, popularizou as feiras noturnas e incluiu produtos orgânicos para agradar a mulher bonita que paga, e bem, para encher sua sacola com produtos diferenciados.
"A julgar pelas recentes iniciativas, parece que as feiras desejam sobreviver por mais cem anos inteironas", diz Heliana Vargas, professora da FAU-USP e especialista no tema.
Hoje, São Paulo tem 880 feiras oficiais, com mais de 12 mil feirantes.
Uma novidade renova seu fôlego: a admissão de 63 feirantes, após chamamento público com 264 inscritos.
Foi preciso armar um barraco para legalizarem o tradicional comércio a céu aberto, que enfim funcionaria nos conformes com a prefeitura.
Em 1913, São Paulo contava com uma consagrada porém irregular feira livre, no largo General Osório (Centro). A apelação de um freguês pode ser hoje encontrada na página 508 dos "Annais da Câmara dos Vereadores da Cidade de São Paulo".


O dito cidadão recorreu ao prefeito Washington Luís num ofício, pedindo que as vendas passassem das segundas-feiras para os domingos. "Dias estes mais próprios para o operariado fazer suas compras, como se faz em diversas partes da Europa."
Um ano depois, crises no abastecimento de frutas e verduras se agravaram. Os alimentos estavam caros e escassos. A Light, empresa pública responsável pelos bondes, fornecia três carros que davam passagem gratuita aos lavradores que trouxessem produtos de hortas dos subúrbios.
Naquele momento, havia apenas alguns mercadões, como o São João (que estava mal das pernas) e o Caipiras, em Pinheiros. Foi quando o vereador Alcântara Machado sugeriu implantar os "mercados volantes".
O colega Carlos Botelho era contrário, atentando à "imundície, ainda que temporária", do negócio, conforme a ata da Câmara do ano.
Certo de que estaria ali solução rápida e eficaz para o apagão de alimentos em São Paulo, Machado rebateu. "A experiência demonstra o contrário. Prouvera aos céus que tivéssemos a cidade de São Paulo tão limpa, tão asseada como Zurique ou Genebra!"
Cinco meses e quatro dias depois desse bate-boca, em 25 de agosto de 1914, publicava-se o ato 710 autorizando a criação dos mercados francos.
Ele instituía: praça General Osório, às segundas e quintas-feiras; praça Senador Moraes Barros, às terças-feiras; praça São Paulo, às quartas-feiras; rua São Domingos, às sextas-feiras; e largo do Arouche, aos sábados.
Daí por diante, instalam-se ano a ano mais feiras pela cidade. O comércio criava empregos, atendia à população e ainda gerava divisas para a prefeitura —todo feirante até hoje paga um imposto para ocupar as ruas.

A GUERRA DOS PASTÉIS
Mas o pega-pra-capar entre feirantes e poder público não parou por aí.
Nos anos 1970, pastéis foram o alvo da vez. Um grupo de imigrantes japoneses, sem emprego, aprendeu com chineses em Santos como preparar uma massa simples, que, imersa no óleo quente, ficava crocante e desmanchava na boca.
Na capital, um dos pupilos experimentou rechear a receita com gostosos ingredientes. Sucesso absoluto: quase todas as feiras ganharam sua barraca de pastel.
Como documentam jornais da época, fiscais municipais, contudo, sem ter regras para monitorar a produção, proibiram a venda. A reclamação foi geral, e a prefeitura acabou cedendo. A partir do primeiro dia de julho de 1978, pasteleiros puderam aquecer seus tachos de óleo tranquilamente.
Outra vitória doce aconteceu em outubro de 1982, quando oficializaram a venda do caldo de cana, reivindicada novamente pelos japoneses.

Feiras livres antigas

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Folhapress
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Feira Livre de 4 de outubro de 1984 no Itaim Bibi
QUERIDA, ENCOLHI A FEIRA
As feiras paulistanas viviam, nessas décadas, seus anos de ouro.
Enquanto separa polvilho para tapioca em sacos (R$ 3 cada), o feirante Aloísio Souza, 64, diz que o movimento piorou bastante de 20 anos pra cá.
Ele está no ramo há 35 anos. Acorda às 3h e chega às 5h30 para vender alho, condimentos, cebola, limão e batata na rua Eça de Queiros, na Vila Mariana. Na barraca ao lado, fica dona Maria Rosa, 67, sua mulher há 37 anos.
"Hoje tem muita sobra", diz Aloísio. "A cebola custa R$ 1,50 o quilo. Sei que no mercado é mais barato."
Seu ajudante há 20 anos, Orlando dos Santos, 44, concorda que a freguesia encolheu bastante. "Temos algumas freguesas fixas, e é gente mais velha. As mais novas não vêm muito. Parentes contam quando uma cliente faleceu ou se mudou", diz, enquanto oferece água do coco diretamente na casca que acabou de quebrar.
Os truques para segurar a clientela já não se resumem a saudações clássicas como a tal da mulher bonita que não paga, mas também não leva.
Na rua Caiowaa, em Perdizes, Antonio Carlos Rosa, 34, aprimora as "cantadas" para cativar as freguesas. Quando você menos espera, irrompe seu grito. Coisas como "Ô dona, tá me traindo com outro bananeiro?" ou "Oi coração, onde você vai triste assim?".
Wagner Caldeiras, 50, também tem suas tiradas. "É da cor dos olhos do coelho essa goiaba, vermelha de vergonha", "uva sem semente, roubaram as sementes da uva" e por aí vai.
Fruteiro há 40 anos, ele se adapta como pode aos novos tempos: já aceita pagamentos com cartão de débito.
Wagner acredita que a feira nunca vai acabar. "Aqui sempre tem desconto, frutas frescas. E o cliente não paga os centavos da balança."
Mas reclama: "Mão de obra na feira não tem mais. É difícil arrumar".

#FORAFEIRA
Difícil é também serenar os ânimos de quem sofre com a sujeira e a barulheira que esse tipo de comércio traz, uma vez por semana, à porta de casa.
São as causas que mais enervam moradores de ruas com feira, mostra o balanço de reclamações da prefeitura.
Na loja de Cristais Lugano, bem na via da feira da Firmiano Pinto, no Brás, o dono Rafael Mathias, 64, desabafa. "Terça-feira abro por obrigação, mas nunca vendo uma peça." Ele roga para que um dia aprovem uma lei dando aos moradores expostos a esse intenso convívio a isenção de IPTU (o dele é de R$ 400 por mês). A ação começa a pipocar em algumas cidades da grande São Paulo. A prefeitura paulistana descarta a hipótese.
As redes sociais ajudam a lotar essa caixinha de reclamações. Os críticos dos #forafeira já relataram casos como o impaciente que jogou xixi numa barraca em retaliação a um feirante que adotou a porta de sua casa para aliviar necessidades fisiológicas.
Segundo Geraldo Garippo, supervisor das feiras da cidade, o modelo vai passar por um choque de ordem no que diz respeito à limpeza. Novo decreto está previsto para 2014. "Vamos instalar banheiros químicos em alguns lugares, em sistema de teste."
Entre os próprios feirantes há a turma dos insatisfeitos. Queixa constante: a rotina intensa não tem sido bem remunerada. "Não como nos bons tempos, anos 1970, 1980 e um pouco dos 1990", diz Marcelo Nonaka, peixeiro que, depois de mais de 30 anos, largou as feiras para abrir uma peixaria-butique em Moema.

BOBEOU, DANÇOU
Ele repara que, em várias regiões, o supermercado tomou a frente dos negócios. Alguns estudos indicam que a mudança estaria ligada aos novos estilos de vida da população. Boa parte trabalha no mesmo horário em que acontecem as feiras. Daí resta a muitos, antes de retornar para casa, dar uma passadinha em hipermercados ou quitandas descoladas, que ganham a cada ano mais espaço.
Nesses lugares, há vários confortos, como disposição dos alimentos cortados e higienizados, quase prontos para consumo. Para quem está com pressa para fazer a janta da família, esse detalhe faz diferença.
Atento a isso, o feirante Uilliam Sanches Rosa, 42, além de trabalhar nas ruas, promove com a ajuda do enteado um serviço de e-commerce: o www.feiradelivery.com.
Oferece kits embalados a vácuo, na mesma pegada dos supermercados. "A gente dança conforme a música e sempre sorrindo, que é pra não espantar freguesia."



Fonte: Folha de São Paulo, 12/01/14